A comunicação ainda é a base

14/08/2019

 

Não adianta, aonde formos nossa história irá junto. Pesada ou surpreendente, monótona ou ainda no rascunho. Não tem mais essa de aqui eu ser o profissional sério, alheio de minhas próprias expectativas, e a pessoa que pensam ser eu. Seja onde for, seremos a pessoa que consegue ser o que dá para ser. Justamente por conta da nossa caminhada até aqui. Estejamos com os pés inchados, segurando a fome ou de café recém tomado. Até aqui nossa bagagem conta muito.

Dias atrás entendi o porquê de uma companheira de academia fazer do seu autocuidado uma luta. Você se lembra dela. Comentei sobre nossas manhãs neste artigo, em Maio. Sua história já é uma maratona por ser uma mãe dividida em três. Os dois filhos vem somatizando estresse em derrame facial e má alimentação; enquanto se preocupa com eles, cuida da mãe, uma senhora de 84 anos com Alzheimer.

Ouvir o outro é um movimento de mola: nos voltamos para dentro para acessar quem está fora. Ouvir envolve enxergar qual intolerância, fantasia ou afeto temos que nos desapegar. E desapegar de nós mesmos nada mais é do que empatia. Esse lugar onde depositamos não a nossa fala, mas a nossa atenção. Por isso que às vezes o silêncio pode ser mais empático do que dizer alguma coisa. Conhecer a história desta parceira matinal dissolveu qualquer julgamento. O artigo anterior sobre autossabotagem e reclamação continua valendo, mas agora entendo que seu cansaço não é do tira e põe de anilhas. Sua ginástica é existencial.

Não é tão diferente no mundo corporativo, aliás. Líderes e liderados, pela sua condição de gente, carregam também suas histórias em tudo que fazem e aonde se enfiam. Seu desempenho e produtividade são indicadores das maneiras como as estão usando: se base para ação ou causa de adoecimento. Gerir pessoas e seguir com protocolos envolve considerar essas histórias. Mais do que tratar bem, significa tratar as pessoas com cuidado. A base disso é a comunicação.

A comunicação bem feita não é aquela que apenas informa, como uma mensagem de texto na tela do celular. É aquela que põe o outro em pé de igualdade. Priscila Guilhen, nossa consultora associada, comenta que “os líderes se comunicam sem precisar abrir a boca”. A liderança é um lugar que exige “entender que o meio e a forma com que [eles] se expressam é tão importante quanto o conteúdo”.

Daí a humanização do ambiente corporativo, uma necessidade que tem se tornado estratégia de gestão para as organizações cuidarem de seu capital humano e seu fluxo de tarefas em meio à imprevisibilidade e intensidade do mundo atual. “Vejo uma humanização crescente no ambiente de trabalho, um resgate ao relacionamento humano, com as novas posturas voltadas ao propósito. Empresas preocupadas em serem lucrativas nos aspectos econômicos, sociais e ambientais. E esse lucro global passa pela efetividade de tirar do papel uma filosofia bonita e transformá-la numa prática bonita! Não vejo outra forma a não ser através de uma comunicação saudável, incentivadora e aliada a uma postura coerente.”

Comunicação ainda é a base. Podemos ser fonte de inspiração e eficiência se soubermos ouvir na mesma proporção em que temos vontade de sermos ouvidos. Gerenciar pessoas é isso.

 

 

 

Thiago Barbosa só vai saber se está se comunicando direitinho se for comunicado. É Consultor Associado e Redator na Lince. @psicologothiagob

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