O que tem no seu começo?

25/02/2019

O horário de verão acabou, o Carnaval ainda não. Acho que ainda temos tempo de falar de começos, não estamos no meio do ano – que, para bom entendedor, vem com a quarta-feira de cinzas. Até lá já estamos seguindo marcados com o que nos aconteceu até agora como pessoas e nação. A devastação de Brumadinho, o inesperado com Boechat, a tragédia no Rio e a perda dos jovens jogadores flamenguistas são alguns exemplos que nos escancaram o quanto somos obrigados a começar todos os dias apesar de tanto. Seja cansaço, surpresa, indignação, saudade, decepção, injustiça, medo e por aí vai.

Nos compadecemos e nos identificamos com os sobreviventes afetados nesses casos por sabermos que começar, especialmente depois de algo tão intenso assim, exigirá deles uma fé que movimente e criatividade para valorizar cada passo sutil de suas caminhadas. É como fazemos também. Trago essas realidades aqui, tão duras e ao mesmo tempo tão delicadas em suas dores, como forma de destacar o quão pessoal é começar alguma coisa. Afinal, cada um sabe o que precisou construir, abdicar ou perder para se começar em um novo projeto ou desafio em sua vida. Nossos começos dizem muito da gente. O ano, a semana, o relacionamento, o emprego novo, o tratamento. Talvez o dia de hoje.  E é por isso que lhe pergunto: o que tem no seu começo? Vontade de quê? Medo de onde? Só nós sabemos o que nos impulsiona a começar qualquer devaneio ou compromisso que seja.

Nessa cultura de que o mínimo esforço é sinônimo de esperteza, quando se fala em começar algo (nem que seja de novo) muitos arregalam os olhos, torcem o nariz, a boca e até a alma imaginando desde já o investimento que terão de fazer para se manter em mais um começo. Contraproducente, te digo, porque desse jeito o que poderia ser oportunidade se torna fadiga.

Começar envolve desarmar-se de si mesmo, não ser o próprio algoz confabulando erros no desespero de não errar. Em termos científicos, é exercitar a inteligência emocional para nos equilibrarmos entre as promessas que nos estabelecemos e os imprevistos do caminho, entre o misto de empolgação e ânsia pelo objetivo a que nos propomos. Aquela vontade enérgica de mostrarmos a que viemos e fincar nosso recado sólido em tempos de inconstância. Baita desafio contemporâneo já que a comparação com o outro e seus começos tão seus vem ao toque do touchscreen.

Pega leve, comece assim. Foi um dos melhores conselhos que a Fernanda, uma de nossas diretoras, me deu ao perceber a intensidade com que tratei meu começo na Lince. Começos exigem, sim, mas também são oportunidades de olharmos de um jeito melhor para nós mesmos, valorizarmos tudo o que produzimos até aqui para seguirmos com menos autocobrança. Já somos desafiados o bastante pela rotina que insiste em nos encaixotar em hábitos automáticos. Mas somos a resistência; o propósito deste espaço é conversarmos mais a respeito deste e outros assuntos a fim de romper com o que não tem sentido, lhe ajudar a transformar a rotina com a leveza que todo ser humano merece e tornar seu produzir, seu trabalhar e seu viver experiências prazerosas porque VOCÊ está nelas. Vamos começar?

 

 

 

Thiago Barbosa vive começando ideias novas todos os dias. É psicólogo clínico, redator e  Consultor Associado da Lince também. @psicologothiagob

 

 

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